Boa madrugada! Hoje é quarta-feira, 10 de Março de 2010

...voltarConheça a História - Cinema Brasil

A cidade vai ter, enfim, o seu Cinema e Clube verdadeiramente condignos

Não é de hoje a aspiração geral de um bom cinema Clube recreativo entre nós. Como é de recordar, uma plêiade de elementos representativos da cidade, apoiados por diversas associações de classe, puseram-se em campo para a realização dessa velha aspiração. Estudos foram então feitos e mesmo a planta foi levantada para a construção de dois majestosos edifícios para o Cinema e o Clube, na área próxima à Fábrica de Tecidos em Porto Novo.

O Cinema seria construído e financiado pela firma “Circuito de Cinemas Brasil Ltda.”, que o exploraria e o Clube igualmente o seria por uma sociedade civil revestida de forma comercial, que aliás, já foi organizada e está devidamente registrada, com o nome de “Edifício Rex Ltda.”. Esta sociedade conta com o capital já subscrito de Cr$ 500.000,00 (Quinhentos mil cruzeiros) pelos quotistas em número de 50, cujos nomes abaixo publicamos e que já realizaram o encaixe de 30% do capital, ou sejam Cr$ 150.000,00.

A área em cogitação, entretanto, pertencente à Prefeitura Municipal, não poderia ser doada para as finalidades em mira, como se pretendia, a não ser depois que autorizasse o ato órgão superior do Governo Mineiro, ou seja o Conselho Administrativo do Estado. Ao Prefeito, competia, para o caso, elaborar o projeto de decreto-lei da doação e remetê-lo à alta consideração do Colendo Conselho. Coube ao Sr. Odyr Peracio fazê-lo, e já agora, pronunciando-se a respeito, vem aquele egrégio órgão de aprovar a doação, em longo e judicioso parecer publicado no “Minas Gerais”, do dia 7 do corrente. Tal significa dizer que breve estaremos vivendo a fase da efetivação da velha aspiração. Porque, comunicada a auspiciosa ocorrência aos propugnadores do Cinema e do Clube, responderam os mesmos estarem aguardando apenas a escritura da doação do terreno para imediatamente serem iniciadas as obras de construção.

(...)

Fonte: Jornal Além Parahyba, Ano XXIV, nº 1220, de 12 de Outubro de 1947.

CINE BRASIL

Um esquecido do grande público que no passado lotava sua sala

Marília Rosestolato

Os rumores de que o Cine Brasil de Além Paraíba poderá fechar dentro de bem pouco tempo não são sem fundamentos. A crise que vem atingindo os cinemas do interior também já afetou o de Além Paraíba. E isso não teve início agora. Já há alguns anos vem decaindo sistematicamente a freqüência às sessões cinematográficas. Em cada casa um TV e, para cada aparelho uma média de 3 espectadores que preferem a comodidade de seus sofás almofadados e a gratuidade (?) dos programas assistidos, colocando de lado a hipótese de “ter que pagar” 600 cruzeiros para a apreciação de uma fita nem sempre em perfeito estado, com o som, na maioria das vezes, deficiente (acrescente-se isso os 160 cruzeiros de ida e volta pagos ao ônibus).

O problema de falta de público já atingiu tal estágio que algumas cidades vizinhas a Além Paraíba também tiveram as portas de seus cinemas fechadas. Entre elas, Miraí, Três Rios, e, mais recentemente Pirapetinga.

Para os cinemas do interior o custo operacional das projeções vai muito além dos lucros obtidos. Raramente um filme faz sucesso de bilheteria. Isto ocorre somente quando está em cartaz uma obra que já tenha obtido êxito no Rio ou São Paulo.

Em decorrência do pouco (ou nenhum) lucro os funcionários da casa que geralmente tem esse serviço como “bico” são obrigados a exercer duas funções, ou seja, o gerente além de exercer a gerência também ocupa a posição de porteiro, o operador também exerce a função de faxineiro. E isso nem sempre por um salário compensador. Em Além Paraíba a situação é um exemplo da descrição os funcionários além de trabalharem por um salário baixo exercem funções duplicadas. Mas são até bastante compreensivos em relação ao problema. Sabem que hoje a realidade do Cinema Brasil é outra bem diferente dos primeiros anos de funcionamento quando fundado em 1951 “era o que havia de melhor em matéria de cinema”.

Já são idos os tempos em que a casa lotava, não comportando o número de pessoas que ali compareciam. E um detalhe: com uma concorrência bastante intensa, pois não era a única sala de projeções cinematográficas de Além Paraíba. Os moradores da Vila Caxias eram os que mais freqüentavam o cinema. A eles se juntavam os residentes em outros bairros formando uma platéia de espectadores na maioria das vezes indiferente aos problemas técnicos da época, ainda que os filmes tivesses que ser levados de um cinema para o outro, de bicicleta ou até mesmo a pé, por um garoto que esperava rodar a fita para levá-la a outra sala de projeção da cidade.

MÁ QUALIDADE

Na opinião de alguns populares, o que falta atualmente ao Cine Brasil de Além Paraíba é propaganda. Faltam anúncios mostrando a programação, faltam letreiros chamando a atenção para o filme do dia. Mas o que falta mesmo é qualidade nas fitas apresentadas. Já vão longe os tempos das super produções hollywoodianas, de Gables & Garbos que arrastavam multidões. Comentam que “hoje o existe é má qualidade nos filmes. Constatam que nem mesmo os filmes de pornochanchadas, que ilusoriamente atrairiam público conseguem encher a casa”.

Ultimamente o Cinema Brasil vinha tendo um número razoável de espectadores apenas para as fitas de caratê. Entretanto, até mesmo nesse gênero foi superado pela TV, que já apresenta semanalmente um seriado com filmes de luta marcial.

TRANSFORMAÇÃO

Diante de todas as dificuldades que vem atravessando a possibilidade de fechamento do Cinema Brasil cresce a cada dia. Alguns comentários fundamentados dão conta de que é pretensão do proprietário da empresa Circuito de Cinemas Brasil Ltda., transformar o salão de espera do cinema de Além Paraíba em sala de projeções, diminuindo o espaço de 700 lugares para apenas 100 cadeiras. Onde atualmente estão instaladas as poltronas e a tela seria transformado em ponto comercial. Comentários mais ousados dão conta de que o local seria transformado numa grande loja de venda de material de construção. As notícias tem causado bastante alvoroço na cidade, principalmente junto aos integrantes de movimentos culturais (leia-se grupos de teatros) e aos freqüentadores esporádicos do cinema que posicionam-se contrariamente ao fechamento da casa ou à diminuição de seu espaço.

Entretanto, a possibilidade de fechamento ou diminuição do Cinema Brasil para a transformação do local em ponto comercial certamente irá de encontro ao Decreto-Lei Municipal de número 102 , de 18 de outubro de 1947 que instituiu a doação – pela Municipalidade ao Circuito de Cinemas Brasil Ltda. – de uma área de 680m², destinada, segundo a doação, à construção de um prédio para instalação de um cinema e teatro. O artigo 3º do Decreto-Lei, assinado pelo então prefeito Odyr Perácio, contém a cláusula que determina a reversão ao patrimônio municipal do imóvel doado em 1947, caso não sejam cumpridas as cláusulas do contrato de doação.

Dessa forma concretizando-se os rumores de fechamento do cinema o imóvel retornará à Prefeitura. Quem sabe não reside aí a possibilidade de Além Paraíba, finalmente, Ter um espaço destinado ao abrigo da cultura ?

Fonte: Jornal Agora, Caderno 2, de 25 de novembro de 1983.

© Museu de História e Ciências Naturais - 1993 / 2010 - Todos os Direitos Reservados - Web by: PhelippdeAvila